KABYÊ SI LE, KAWÓ KABYESILE! OBÁ KOSSÔ!

DEUS DOS RAIOS E DO TROVÃO.



Xangô vem da terra dos Yorubás, do reino de Oyo. Orixá forte, exuberante, cheio de vitalidade, é rei em todo o lugar onde se manifesta, impõe-se por sua presença, que não passa despercebida. A dança com seu machado de duas hastes é forte e impressionante, As contas rituais de Xangô são de pedras vermelhas esscuras e brancas. Não é convencional, preocupado em agradar, por outro lado, é capaz de grandes atos de gentileza, generosidade, heroísmo para aqueles que o respeitam e o consideram.





27 de jan. de 2009

tambores para a RAINHA...

GRUPO TAMBOR DE N´JINGA
(Projeto BATICUDUM)
Uma homenagem a RAINHA NEGRA.
1618 – A Rainha Ginga enfrenta Portugal. "Ginga" é o nome português da rainha Nzinga Mbandi(1581-1663), que durante 13 anos lutou contra os portugueses em Angola. Mostrou firmeza na defesa da dignidade. - Em meados do século XVI, o Congo e o Oeste africano se viram invadidos por povos guerreiros. Em Angola(de Ngola), se chamavam Gingas. Entre os reis guerreiros estava o fundador da dinastia Ginga: Ngola Ginga. Tomou ele dois reinos: o de Ndongo, que deu ao filho Ngola Bandi, e o de Mutamba, que governou. Dos descendentes, Ngola Ginga Bandi, irmão da Ginga de Mutamba, conseguiu ficar com os dois reinos, mandando matar vários parentes, inclusive o filho de Ginga. Em 1618, ele resolveu enfrentar os portugueses, e, depois de três anos de guerra, foi vencido por Luiz Mendes de Vasconcelos que ocupou a capital do Ngola e matou 94 dos seus chefes. Em 1621, a rainha Ginga de Mutamba com uma vistosa comitiva foi então propor a paz, em Luanda. Aceitou certas condições que lhe foram impostas e se batizou em 1622 com o nome de Dona Ana de Souza, na igreja matriz de Luanda, mas não aceitava a submissão, não pagava tributos. No ano seguinte, moveu ela mesma guerra aos portugueses, depois de ter matado o irmão que assassinara seu filho. Ficou então como rainha dos dois reinos e seus povos. Foi então que ela permitiu que o capuchinho italiano Antônio Gaeta(+1662) morasse no seu reino. Gaeta levou-a a mudar de vida. Contra a vontade dos portugueses, Ginga mandou uma embaixada ao Papa Alexandre VII pedindo o reconhecimento do seu reino. Esquecendo o padroado, o Papa enviou-lhe uma carta pessoal e outra da Sagrada Congregação da Propaganda Fide com orientações para que seu reino fosse cristão, enviou mais missionários capuchinhos italianos e nomeou o Pe.Antônio Gaeta como prefeito apostólico da Mutamba. A carta da S.C.da Prop.Fide contém entre outras uma "proibição aos comerciantes e a qualquer outras pessoas de comprar como escravos os batizados. Este uso impede a conversão de muitos." Assim resumimos as anotações do historiador Eduardo A..Muaca em "Breve História da Evangelização de Angola.1491-1991"(Lisboa,Secr.Nac.das Comemorações dos 5 Séculos,1991.p.35). Mas a rainha foi derrotada à frente de suas tropas por Fernão de Souza, e suas duas irmãs, as princesas Cambe e Funge, foram levadas para Luanda e batizadas com os nomes de Bárbara e Engrácia. Em 1641, os holandeses saíram do norte do Brasil e ocuparam Luanda. Ginga aliou-se a eles contra os portugueses. Mas estes tornaram a derrotá-la em 1647, sempre com armas superiores, comandados por Gaspar Borges de Madureira. Em 1648, Salvador Correa de Sá retomou Luanda dos holandeses, com uma armada saída do Rio de Janeiro. A rainha Ginga viveu os seus últimos anos em Angola, morrendo em 17 de dezembro de 1663, quando teria cerca de 81 anos. Foi sepultada na capela de Santana por ela mesma(Dona Ana) construída, e com um hábito velho de capuchinho, relíquia de Gaeta. Os portugueses anexaram a partir daí os reinos de Ginga e Mutumba(ou Matamba) à Angola. A memória da rainha guerreira, no entanto, acompanhou os negros levados como escravos para o Brasil.(KI-ZERBO,Joseph."História da África Negra".Lisboa,Publ.Europa-América.pp.426-427-Trad.de "Histoire de l’Afrique Noire."Paris,1972; NUNES,Jerônimo.Pe. "Santa Ana e Rainha Jinga".In:"Cruzada Missionária".Ano LXV.Abril/1997.p.4) Luanda tornou-se o maior porto negreiro da África, a partir do qual mais de 30 mil escravos saíam anualmente, principalmente para o Brasil. No séc.XVII, registramos a existência de uma igreja de "Nossa Senhora do Rosário dos Pretos", em Luanda e outras igrejas de Nossa Senhora do Rosário, em Cambambe e em Pungo Andongo.(Informações de: MUACA, Eduardo A.. "Breve História da Evangelização de Angola.1491-1991", Lisboa, Secr.Nac.das Comemorações dos 5 Séculos, 1991. p.39.) – Em "O Livro das Velhas Figuras"(Natal, Instituto Histórico e Geogr.do Rio Grande do Norte, 1977. pp.9-11), Luis da Câmara Cascudo defende a inclusão da rainha Ginga na História, como a última rainha autêntica, combatendo portugueses e holandeses e ficando com seu povo contra os chefes pro-portugueses, proprietários de latifúndios e exploradores da fome negra. - O autor angolano Manuel P.Pacavira escreveu sobre a Rainha Ginga o romance "Nzinga Mbandi".(2aEd. Lisboa, Edições 70, 1979)

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